Diário de Bordo #1
Fazer 18 anos e, seis dias depois, encontrar-me enfiada num avião durante sabe-se lá quantas horas, para chegar a um apartamento que chamarei meu durante três meses, não estava nos planos de uma Matilde mais nova.
A verdade é que nem sei por onde começar a contar a aventura que foi chegar onde estou hoje. Na Croácia. A comer gelados que não preciso de pagar e a andar pelo sítio que jurei nunca ir mais que necessário… a praia!
Sempre pensei que estes primeiros dias seriam os mais difíceis, ajustar-me a um país que não é meu, uma língua que não falo e pessoas que não conheço… simplesmente viver a vida adulta! Mas a verdade é que foi algo quase natural.
Claro, é estranho pensar que ir às compras semanalmente faz parte da minha rotina. Ou que tenho de lavar a roupa com uma máquina inventada A.C. Ou que preciso de aprender a mexer numa app em croata para navegar melhor nos transportes.
No entanto, não poderia estar mais feliz.
Estou a fazer algo que gosto, num país que passei também a gostar. As pessoas são simpáticas, a comida é boa e a beleza deste sítio faz-te querer só sentir, viver o momento.
Tive muita sorte em estar nesta aventura com alguém que gosta de cozinhar, já que os meus dotes culinários são zero, então dividir tarefas tem sido extremamente fácil. Quem sabe um dia não me dedico à cozinha, mas por enquanto contento-me a lavar a loiça!
Durante estes dias, conseguimos alcançar muito! Aprendemos a andar nos transportes públicos apenas para nos perdermos no segundo dia, aprendemos que uma lata de atum custa 3€, logo deve ser evitada a todo o custo, e aprendemos que as pessoas aqui detestam tupperwares e recusam-se terminantemente a vendê-los (Tivemos de ir a 3 supermercados só para os encontrar).
Brincadeiras à parte, foram uns dias que passaram demasiado rápido e, entre reuniões e estágio, pude aproveitar um pouco do que a cidade tem para oferecer. Split é pequena e tranquila, o oposto do que estou habituada e uma ótima maneira de fugir à rotina.
Sempre pensei em mim como uma linha plana. Uma linha que, para o mal e para o bem, se mantinha no seu caminho. Tenho a impressão de que estes três meses vão dar à minha vida as curvas e contracurvas que esta precisa.
Acabo este relatório com a única palavra que sei dizer em croata, Voda (Água). Isso e Pašticada, mas não sei se comida realmente conta como “aprender uma língua nova”. Espero poder acabar estes meses a saber falar um pouco mais, mas, por enquanto, despeço-me com um simples adeus.
Que venham mais aventuras 🙂









