Diário de Bordo #7
Mais 15 dias se passaram, e desta vez são oficialmente os últimos. Nem sei por onde começar.
(mentira, sei sim)
Fomos a Dubrovnik e foi INCRÍVEL! Acho que posso dizer oficialmente que passou a ser a minha cidade favorita da Croácia. E olhem que a competição era grande, mas Dubrovnik conseguiu roubar-me completamente o coração.
Primeiro ponto extremamente importante: havia imensos gatos fofinhos pelas ruas. E como toda a gente sabe, eu tenho uma relação muito saudável e nada exagerada com gatos, portanto podem imaginar o quão feliz fiquei. Basicamente, a Croácia tentou substituir a minha gata durante três meses, e apesar do esforço, ninguém conseguiu ganhar esse lugar.
Mas agora falando a sério (só um bocadinho): Dubrovnik parecia mesmo um cenário de filme. A água era completamente cristalina, as ruas da Old Town eram lindas e em cada esquina havia alguma coisa que me fazia pensar “como é que isto é real?”. Visitámos grutas, nadámos bastante, fomos à praia, comemos comida deliciosa e andámos simplesmente a aproveitar o sítio.
Uma das partes que mais gostei foi termos ido ao museu de fotografia de guerra. Acho que foi uma daquelas visitas que ficam connosco. Como estudante de fotografia, foi incrível ver imagens tão fortes e perceber como uma fotografia pode guardar histórias, emoções e momentos que nunca mais se repetem. Foi definitivamente um dos meus sítios favoritos que visitei nesta viagem.
Mas, em primeiro lugar, como o sítio mais favorito de todos, temos as grutas em que andámos a nadar (e a fazer o pouco parkour para que temos habilidades). Não sei se já deu para perceber, mas eu amo praia, especialmente a água, então foi tudo tão mágico. Sentia-me mesmo como uma verdadeira sereia em H2O.
O trabalho tem corrido bem, continuamos sozinhas em estúdio, o que faz com que na minha cabeça eu seja a nova chefe (estou só a brincar ok).
E agora vem a parte em que finjo que não estou triste porque está quase a acabar.
Não quero pensar muito nisso. Finalmente vou ter férias, vou voltar para casa, ver a minha família, os meus amigos e, principalmente, a minha gata (sim, ela merece ser mencionada em todos os relatórios, e até 20 vezes no mesmo). Mas ao mesmo tempo sei que vou ter muitas saudades disto tudo.
Vou ter saudades das praias perto de casa, das viagens de autocarro em que no início não percebia nada dos caminhos e agora já sei exatamente onde tenho de sair, dos momentos em que eu e a Matilde fazíamos planos completamente aleatórios e, claro, da própria Matilde (mas não lhe contem).
É estranho pensar que uma pessoa que há três meses era basicamente uma desconhecida agora é alguém que faz parte da minha rotina. Vou sentir falta de como ela faz parte do meu dia a dia. De poder olhar para o lado e saber que posso dizer qualquer coisa que ela vai apenas ouvir e rir-se sem me julgar. De me levantar e ir deitar-me em cima dela, apenas porque quero atenção e ela não larga o telemóvel. Ela é como a irmã que nunca tive (bué frase à princesa da Disney ou não?).
No início desta experiência eu escrevi que talvez crescer fosse um desencontro constante com o conforto e um reencontro comigo mesma. E acho que agora, no fim, percebo ainda mais essa frase.
Vim para a Croácia sem saber muito bem o que esperar. Tinha medo das saudades, de estar longe de casa e de ter de me desenrascar sozinha. Mas acabei por descobrir que consigo fazer muito mais do que aquilo que imaginava.
Aprendi a viver sozinha, a resolver problemas, a adaptar-me e, principalmente, aprendi que um sítio novo pode deixar de ser apenas um sítio novo e começar a parecer casa.
A Croácia começou como uma aventura de três meses, mas acabou por se tornar uma coleção de memórias que vou levar comigo para sempre.
E agora vem a parte difícil: dizer adeus.
Diário de Bordo #6
Bem, já se passaram mais 15 dias, e portanto, estou de volta. Desta vez, além de vos contar as minhas aventuras gostaria de dedicar este diário de bordo a uma pessoa muito especial, de quem sinto que não falo o suficiente, a Matilde.
Da mesma forma que o tempo é bipolar aqui na croácia, em que num momento estão 30 graus e estou a derreter, e passado 20 minutos vemos uma mota a afogar-se num novo rio formado no meio da estrada, os meus sentimentos pela Matilde também foram um tanto quanto bipolares.
No início, achei que as nossas personalidades não seriam muito compatíveis, e até já lhe disse a ela, que achei que ela fosse ser uma “ganda seca”, mas afinal estava bastante errada. Apesar de ela me irritar às vezes, a mãe dela paga-me bem o suficiente para eu fingir que gosto dela. Como é óbvio, estou só a brincar, a mãe dela não me paga, mas a verdade é que sinto que todos os dias ela me conquista mais um bocadinho.
Um amigo meu que já tinha vindo de Erasmus, disse-me uma vez que ou nós nos apaixonamos (não necessariamente de uma forma romântica ok) ou odiamos a pessoa com quem ficamos a viver. Eu não acreditei, mas agora acho que ele até tinha razão.
Para dar contexto, a Matilde foi a Inglaterra, e volta hoje. E apesar de passar dias sozinha ser bom para recarregar a minha bateria social, enquanto pessoa introvertida, a vida parece menos colorida sem a Matilde aqui. Quero voltar a falar com ela todos os dias antes de dormir, ver filmes com ela e dizer para ela se calar porque não para de fazer perguntas, fazer planos para quando voltarmos a Portugal, descobrir como faria para a salvar se houvesse um incendio (acreditem que tentei ao meu máximo, mas chegámos à conclusão de que apenas morreríamos as duas).
E sim malta, eu sei que eu poderia apenas ligar-lhe, mas não seria a mesma coisa.
Estar sozinha proporcionou-me viagens de autocarro que pareciam ainda mais longas, e em que me apercebi de que, ao contrário do que dizemos em Portugal, que estar à vontade não é estar à vontadinha, aqui posso estar mesmo apenas à vontadinha, porque se reclamassem comigo, também não iria perceber.
O trabalho anda a correr bem, e como a Matilde não está e a Hanaa esteve doente, quarta-feira estive o dia todo sozinha no estúdio, e para dizer a verdade, senti-me uma verdadeira rainha. Podia ouvir a música que quisesse na coluna, e atendi com sucesso todos os clientes que apareceram, digam lá se não estou mesmo uma pessoa crescida.
Enquanto pessoa crescida, gostaria de reclamar sobre a forma como Portugal perdeu o mundial, mas não o irei fazer, pois não quero dispersar ódio contra os nossos vizinhos. No entanto, eles podiam ter escolhido uma melhor altura para virem todos para a Croácia, eu juro que já não aguento ouvir pessoas a falar em espanhol.
Estou ansiosa para que a Matilde volte e para a nossa viagem até Dubrovnik, no próximo fim de semana. Prometo que depois disso terei mais que apenas 4 fotos que considere interessantes para vos mostrar.
Já está quase quase a acabar, e isso deixa-me triste. Antes, pensava montes de vezes nas saudades que tinha de casa e dos meus amigos, mas a verdade é que agora, apesar de ter saudades e de os amar muito na mesma, aqui também já parece um pouco casa. E a Matilde, também já não é só minha colega de quarto. Depois de basicamente já lhe ter contado a minha vida toda e de ter vivido três meses com ela, posso dizer que a considero uma colega de vida. Ou mais, uma amiga de vida, já que eu até a adoro.
Diário de Bordo #5
Sei que já estavam cheios de saudades minhas e de saber o que ando a fazer, então aqui vamos nós.
Voltei do exame de português muito mais aliviada e já 100% recuperada do monstro que me havia atacado nas semanas anteriores. Ou seja, eu e a Matilde temos aproveitado muito!
E assim que cheguei à Croácia fui recebida da melhor maneira possível. A Matilde, que já estava cheia de saudades minhas só de eu ter ido fazer o exame de português, não conseguiu parar de pensar em mim e no quanto gosta de mim e então comprou-me um elefante (que é o meu animal favorito sem contar com gatos) feito à mão, na loja dos senhores velhinhos em que nós gostamos muito de gastar dinheiro. Uma fofa!
Fomos conhecer Trogir, que por enquanto é a minha cidade favorita, no entanto, a praia de lá está muito abaixo no meu ranking de praias na Croácia. Jantámos num restaurante chique, em que o rapaz que nos estava a atender devia achar que éramos pobres, e que íamos fugir sem pagar o jantar…pela forma como nos tratou, mas a comida era bem boa.
Voltámos a ir ao shopping e a minha saga de gastar um rim em produtos para o cabelo continuou. Já tinha comprado creme, mas agora a minha espuma de cabelo também já estava a chegar aos seus finalmentes, o que fez com que eu tivesse de gastar muito mais do que aquilo que gostaria para comprar uma nova.
Na nossa ida ao shopping fomos a uma Arcade, e foi super fixe, senti-me como uma criança outra vez, a tentar encestar bolas de basquete, a conduzir um helicóptero (em que eu ganhei a corrida à Matilde by the way) e a tentar apanhar algum pato naquelas máquinas de ganchos. Podem ver nas fotos abaixo que consegui apanhar um pato, mas não tive muita sorte, calhou-me logo o mais desprovido de beleza.
Como a vida não é um morango, voltar à Croácia também significa voltar ao trabalho. Não sendo o trabalho um problema, apenas o facto de ter de acordar às oito da manhã, mas enfim. Agora temos uma nova colega, que também está cá a fazer Erasmus, chama-se Hanna e veio da Alemanha. Ela é simpática, mas a área da fotografia é algo meio novo para ela, então tenho melhorado as minhas skills de professora, ao ensinar-lhe como fazemos as coisas.
Eu e a Matilde temos apoiado arduamente Portugal neste mundial, mesmo quando os jogos são à 1h30 da manhã de cá, o que deveria ser proibido, considerado um crime ou algo assim. Mas isto tudo para dizer que conseguimos chegar aos 16 avos de final e quem será agora o nosso grande rival? Exatamente, a Croácia. Eu e a Matilde queríamos ir ver o jogo a um café ou assim, mas adivinhem a que horas é que vai ser o jogo cá? Pois é, à 1 da manhã outra vez, e desta vez nem para ser a um fim de semana, mas sim de uma quinta para uma sexta. No dia a seguir vou parecer um zombie, mas não posso deixar de apoiar o meu querido Portugal.
Estou ansiosa para que chegue o final de julho, não porque quero que esta experiência incrível acabe, de todo, mas porque a minha mãe vem passar uma semana de férias aqui, e então vou poder mostrar-lhe todos os sítios incríveis que já conheci, como se já pudesse ser guia local após 3 meses cá passados.
Uma pessoa muito importante para mim disse-me “É normal ter saudades e vontade de voltar, mas sem ficar agarrado a isso.” E é exatamente isso! Já tenho saudades outra vez, mas saber lidar com as saudades também faz parte de crescer, e em vez de me agarrar a essas saudades vou agarrar-me a todas as aventuras que ainda tenho para viver por aqui!
Ps: Eu sei que sou incrível, mas não tenham muitas saudades minhas, daqui a 15 dias estou de volta!
Diário de Bordo #4
E lá se passaram mais duas semanas…
Bem, não sei se foi devido ao facto de ter estado uma semana inteira doente, mas senti que estas duas semanas foram as mais difíceis até agora. Até porque, apesar da experiência Erasmus ser algo incrível, a vida também não é um morango.
Peço desde já desculpas por este vir a ser o meu menor diário de bordo, mas estar uma semana doente faz com que diminua muito aquilo que tenho a contar.
Vou fazer uma pequena lista de coisas que possam ser interessantes sobre estas duas semanas:
1° Fiz canja pela primeira vez
2° Fui capaz de meter a minha rotina de skincare em dia.
3° Vi-me obrigada a beber chá como uma pessoa crescida para poder melhorar um pouco a minha doença.
E sinceramente…não há muito mais além disso.
O trabalho continua a correr bem. E tenho a dizer que pela primeira vez atendi uma cliente sozinha. Mas não se animem muito, porque foi apenas para tirar fotos para o passaporte.
O exame de português está quase quase, mas estou tão feliz por poder matar saudades dos meus amigos, da minha família e da minha preciosa gata de quem tanto falo.
Prometo que agora quando voltar, pós exames, terei mais aventuras para contar!
Diário de Bordo #3
Hoje, quando a Matilde disse que era dia de escrever o relatório quinzenal, a minha reação foi: “O quê???? Já se passaram duas semanas?????”
Pois é, parece que o tempo está a passar cada vez mais depressa. Tenho quase a certeza de que os dias aqui estão mais curtos do que em Portugal, mas não tenho como o provar.
Durante estas últimas duas semanas, trocámos a nossa obsessão por filmes por uma obsessão por animes. Mas não, não se preocupem, este relatório não vai ser escrito em japonês.
Entretanto, fomos pela primeira vez “fazer praia” a Split e tenho uma grande conquista para anunciar: se convencer a Matilde a entrar na água já tinha sido um feito impressionante, então mereço oficialmente uma medalha de ouro por a ter feito ficar lá dentro quase uma hora inteira.
O sol cá continua de matar. Eu sei que dizer que está calor no verão parece uma observação extremamente inteligente, mas juro que este sol é diferente. Se vocês fossem capazes de sentir a forma como atravessa a minha pele e faz com que eu me sinta cada vez mais como um vampiro a pegar fogo, vocês perceberiam.
Em contrapartida, a água é incrível!
Mas a melhor aventura destas semanas aconteceu na sexta-feira passada. Fomos visitar um dos sítios mais bonitos onde já estive em toda a minha vida. E olhem que eu já visitei duas das sete maravilhas do mundo, portanto considero-me uma crítica qualificada.
O lugar chama-se Krka e é uma zona pequena com um parque natural cheio de cascatas, trilhos e animais. Parecia daqueles cenários que existem apenas como papel de parede do computador. Passei o dia inteiro a olhar à minha volta e a pensar “uau”.
A melhor parte é que foram os nossos chefes que nos convidaram e ofereceram a entrada. Eles têm sido mesmo incríveis connosco desde que chegámos. São pessoas muito disponíveis, que nos ensinam bastante e que tornam toda esta experiência muito mais gratificante.
Agora andam mais ocupados e aparecem menos no escritório. O que, para ser sincera, eu adoro. Eu e a Matilde aproveitamos para pôr as músicas que quisermos e cantar bem alto sem nos sentirmos minimamente julgadas.
Continuo a estudar para o exame de português, que continua também a ser a principal fonte dos meus crashouts semanais. Neste momento a minha estratégia é muito simples: estudar, entrar em pânico, estudar mais um pouco e repetir o ciclo. Mas vai correr tudo bem (se eu acreditar muito pode ser que se concretize).
Outra novidade foi a nossa primeira visita a um shopping croata. Aproveitámos para matar saudades de uma coisa muito importante: McDonald’s.
E tenho o prazer de informar que não desapontou. Principalmente porque tinha milkshakes.
Quem me desapontou foi o meu creme para caracóis. Ou melhor, o preço dele. Tive de gastar 8,30€ num único creme de cabelo e ainda não recuperei emocionalmente (nem financeiramente) dessa experiência.
Cá quase ninguém tem cabelo encaracolado, e são um povo um tanto quanto nacionalista, então por vezes é difícil encontrar coisas para pessoas que não sejam iguais a todas as outras de cá.
Apesar disso, continuo a gostar cada vez mais de estar aqui. Já tenho praias favoritas, paragens favoritas e até já estou bastante habituada à minha rotina.
E é estranho pensar nisso, porque ainda me lembro perfeitamente de quando tudo parecia novo, desconhecido e um bocadinho assustador.
Agora já reconheço caminhos e sei onde apanhar os autocarros sem consultar o Google Maps vinte vezes. O que é ótimo.
Porque significa que, aos poucos, a Croácia está a deixar de ser apenas um sítio e está lentamente a transformar-se numa coleção de memórias que vou levar comigo para sempre.
Ps: Menção honrosa aos meus amigos porque estou cheia de saudades deles e nem imagino o quão difícil está a ser para eles viver sem mim.
Diário de Bordo #2
Faz hoje 20 dias desde que cheguei à Croácia, e posso dizer que está a ser muito fixe… apesar de continuar a ter imensas saudades da minha gata.
Muitas vezes sinto-me como se estivesse num filme. Daqueles em que a personagem principal acabou de se mudar para uma cidade nova e anda pelas ruas com um ar misterioso e uma trilha sonora incrível de fundo. O único problema é que eu sou provavelmente a pessoa menos misteriosa de sempre, por isso imagino que o realizador esteja um bocado desapontado comigo.
Mas que aventuras novas tenho para contar?
Uma das melhores foi quando nós (eu e a minha roommate, a Matilde) fomos jantar a um restaurante mexicano que escolhi e a comida era DELICIOSA. Se vocês nunca beberam limonada de cereja deviam definitivamente fazê-lo!
A meio do jantar, a rapariga super simpática que nos estava a servir entregou-me um papel. Era um bilhete enviado por um rapaz bonito da cozinha com “text me” escrito e o @ do Instagram dele. Ainda hoje não sei bem como reagir a uma situação destas sem parecer uma personagem secundária numa comédia romântica daquelas bué chatas e clichês.
PS: descobri também que ele faz tatuagens nos tempos livres e agora estou seriamente a considerar fazer uma tatuagem como recordação desta aventura. Ainda estou naquela fase entre “isto seria uma memória incrível” e “imagina ter de explicar isto à minha mãe”.
Entretanto, os meus fones decidiram desistir da vida, o que me obrigou a treinar sem música e a sobreviver às longas viagens de autocarro em silêncio. E posso confirmar: a vida sem música perde pelo menos 99% da sua graça. O filme todo que eu imagino constantemente na minha cabeça ficou sem trilha sonora, o que me pareceu bastante injusto para os realizadores (vulgo as vozes da minha cabeça).
Mas felizmente já tenho fones novos e tudo voltou ao normal. Voltei a olhar pela janela do autocarro como se estivesse no final de um filme a ir embora do sítio onde cresci.
O meu sítio preferido continua a ser a praia aqui perto de casa, é mágico. Até já consegui convencer a Matilde a entrar na água (o que foi honestamente um grande feito) e agora o próximo objetivo é conseguir mantê-la lá dentro tempo suficiente para brincarmos às sereias.
Também tenho passado algum tempo a estudar para o exame de português, que está a aproximar-se, o que me deixa nervosa. Mas acho que, quando passar, vou finalmente conseguir aproveitar tudo a 100%.
Para além de estudar, também passo algum tempo a cozinhar, sou a cozinheira oficial cá de casa. E não é para me gabar, mas tenho feito um ótimo trabalho…ou quase um ótimo trabalho. Houve uma vez, em que a fazer arroz queimei bastante (mas bastante mesmo) o fundo da panela, tanto que achámos que teríamos de a deitar fora, mas a minha especialista em lavar louça (a Matilde novamente) conseguiu salvá-la, yaaayyyy!!
Acho que deu para reparar por toda a narrativa que criei que também ando um bocadinho obcecada com cinema. Desde que chegámos temos visto imensos filmes e séries diferentes, o que para mim é incrível, Laura:1 Watchlist do Letterboxd:0.
Estaria a trair os meus amigos se não mencionasse que estou cheia de saudades deles e mortinha por os ver a todos. No entanto, parece que também me começo a habituar.
E talvez a parte mais estranha seja esta: aos poucos, tudo começa a parecer familiar. Já reconheço ruas, paragens de autocarro e até algumas caras que vou vendo no dia a dia. E é engraçado perceber isso, porque há 20 dias tudo me parecia completamente desconhecido.
Talvez seja assim que um sítio novo deixa de ser apenas “o lugar onde estamos” e começa lentamente a parecer um bocadinho casa.
Diário de Bordo #1
Despedi-me da minha gata com um grande beijinho e pus-me no carro da minha mãe em direção ao aeroporto.
E agora, vem a parte mais difícil, dizer adeus à minha mãe, mesmo que seja só por três meses. Mas acho que isso faz parte de crescer, e acredito que o ponto principal desta jornada seja esse, crescer.
Consegui chegar ao avião sem chorar, e passado quase dez horas cheguei então a Kastela, na Croácia. Apesar de ter perdido o meu livro novo no caminho, a viagem correu bem. Cheguei no dia 28 de abril, e, mesmo que ainda só se tenha passado cinco dias, já vivi imensas aventuras.
O sítio onde vou ficar durante estes três meses é mesmo próximo à praia, e arrisco-me a dizer que foi uma das praias mais bonitas em que já estive na minha vida. Nunca tinha pensado que estaria a nadar em água relativamente quente (comparado às águas geladas do norte de Portugal a que já estava habituada) e que pudesse ver as montanhas. É nestes momentos que percebemos o quão pequenos somos em relação ao mundo, e o quanto ainda existe por descobrir. Quero descobrir mais.
Apesar de estar a ficar em Kastela, a vida aqui acontece toda em Split, o que faz com que todos os dias tenha de ficar umas quantas horas nos autocarros, algo que em Portugal seria chato, mas aqui não, aqui quando olho pela janela já não vejo as mesmas ruas a que estava habituada, mas sim algo novo. Também já aconteceu de apanhar o autocarro errado…aqui nem todas as pessoas percebem bem inglês. Mas como diria se estivesse em Portugal: é lidar.
A empresa onde estou a estagiar tem os donos mais simpáticos de sempre, o que torna a experiência ainda melhor. Já aprendi muito, e ainda tenho muito mais a aprender com eles.
Tenho saudades de casa, e dos meus amigos (sempre fui uma pessoa muito apegada e até podemos dizer “dramática”) mas estas saudades não fazem com que queira voltar para casa, e sim viver ainda mais aventuras para que lhes possa ligar e contar-lhes tudo.
Sinto-me crescida a fazer compras para casa, em ter de pensar no que falta, em vez de só ligar à minha mãe a perguntar “ainda temos arroz?” Mas até que sou boa nisso, a fazer compras.
Talvez crescer seja isto, um desencontro constante com o conforto, e um reencontro comigo mesma. Quero deixar o conforto para trás e crescer.




























































