Diário de Bordo #1
Despedi-me da minha gata com um grande beijinho e pus-me no carro da minha mãe em direção ao aeroporto.
E agora, vem a parte mais difícil, dizer adeus à minha mãe, mesmo que seja só por três meses. Mas acho que isso faz parte de crescer, e acredito que o ponto principal desta jornada seja esse, crescer.
Consegui chegar ao avião sem chorar, e passado quase dez horas cheguei então a Kastela, na Croácia. Apesar de ter perdido o meu livro novo no caminho, a viagem correu bem. Cheguei no dia 28 de abril, e, mesmo que ainda só se tenha passado cinco dias, já vivi imensas aventuras.
O sítio onde vou ficar durante estes três meses é mesmo próximo à praia, e arrisco-me a dizer que foi uma das praias mais bonitas em que já estive na minha vida. Nunca tinha pensado que estaria a nadar em água relativamente quente (comparado às águas geladas do norte de Portugal a que já estava habituada) e que pudesse ver as montanhas. É nestes momentos que percebemos o quão pequenos somos em relação ao mundo, e o quanto ainda existe por descobrir. Quero descobrir mais.
Apesar de estar a ficar em Kastela, a vida aqui acontece toda em Split, o que faz com que todos os dias tenha de ficar umas quantas horas nos autocarros, algo que em Portugal seria chato, mas aqui não, aqui quando olho pela janela já não vejo as mesmas ruas a que estava habituada, mas sim algo novo. Também já aconteceu de apanhar o autocarro errado…aqui nem todas as pessoas percebem bem inglês. Mas como diria se estivesse em Portugal: é lidar.
A empresa onde estou a estagiar tem os donos mais simpáticos de sempre, o que torna a experiência ainda melhor. Já aprendi muito, e ainda tenho muito mais a aprender com eles.
Tenho saudades de casa, e dos meus amigos (sempre fui uma pessoa muito apegada e até podemos dizer “dramática”) mas estas saudades não fazem com que queira voltar para casa, e sim viver ainda mais aventuras para que lhes possa ligar e contar-lhes tudo.
Sinto-me crescida a fazer compras para casa, em ter de pensar no que falta, em vez de só ligar à minha mãe a perguntar “ainda temos arroz?” Mas até que sou boa nisso, a fazer compras.
Talvez crescer seja isto, um desencontro constante com o conforto, e um reencontro comigo mesma. Quero deixar o conforto para trás e crescer.










