Diário de Bordo #1
A ficha ainda não caiu.
Já passaram 8 dias desde que cheguei à Cracóvia e, se me perguntarem, parece mais uma viagem longa do que uma mudança de vida.
Tudo começou numa daquelas madrugadas estranhas em que o mundo ainda está meio desligado. Eu e o João saímos das nossas casas, com aquela mistura de sono e adrenalina, rumo ao aeroporto. Chegámos cedo, demasiado cedo, e entre portas de embarque e cadeiras desconfortáveis, o tempo foi passando devagar.
No primeiro voo, apaguei completamente. No segundo, ainda tentei ver um filme… mas foi daqueles voos em que piscas os olhos e, de repente, já estás a descer. Quando dei por mim, estávamos a aterrar.
Nova cidade. Novo país. Mesma sensação, meio irreal.
Chegámos ao estúdio, largámos as malas e fizemos o mais lógico possível: fomos ao McDonald’s. Primeira “refeição cultural” resolvida.
Depois disso, saímos sem plano. Só andar. Vimos praça central, depois um parque, depois ruas que parecem saídas de outra época.
Mais tarde, parámos no Biedronka, mesmo ao lado de casa. Com aquela clássica missão: compras “rápidas” que nunca são rápidas. Foi ali que caiu a primeira pequena realidade, não consigo perceber nada daquilo que está escrito
E foi assim que a semana começou.
Entre transportes públicos que aos poucos começaram a fazer sentido e novos colegas de estágio, os dias foram ganhando forma. Houve pequenas vitórias: encontrar um ginásio, perceber como não nos perdermos na cidade, e dominar o básico da sobrevivência.
E depois houve os detalhes que ninguém te conta. Tipo o cachorro-quente do Żabka às tantas da noite. Ou o choque de perceber que cozinhar para ti próprio deixa uma quantidade absurda de loiça.
Na segunda-feira, conhecemos o Erick, basicamente o nosso “guia não oficial” para os transportes da cidade. Na quinta, saí completamente da zona de conforto: fui até outro espaço da Axe Nation… noutra cidade (Katowice). Primeira vez a comprar bilhetes, primeira vez a perceber que agora já não há “manual”.
E no meio disto tudo, sábado.
Sem planeamento, sem expectativa, acabámos a encontrar um grupo de portugueses. E do nada, estava no meio da rua a aprender a dançar kuduro. Em plena Polónia.
Se me dissessem isto há duas semanas, eu não acreditava.
Agora? Agora faz todo o sentido.
E é estranho, porque no meio de tanta coisa nova, ainda parece que estou só de passagem.
Mas talvez seja assim que começa.
Até à próxima.






